FUNDAMENTOS DA FÉ

16/02/2022

Olá povo de Deus! Que a paz de Jesus chegue no seu lar, em sua família. Que Deus abençoe ricamente a vida de cada um com saúde, prosperidade, fé, esperança e amor. Hoje falaremos sobre o fundamento da fé. Não tem como se fazer missões, defesa da fé, discipular vidas, evangelizar, pastorear, exercer qualquer função eclesiástica sem a base teológica, que é o FUNDAMENTO DA FÉ. Que esse texto venha acrescentar em seus conhecimentos doutrinários neste nosso momento de doutrina em casa. E que Deus seja louvado.

"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem". (Hebreus 11:1 ACF).

O fundamento da fé, tem que nascer da Palavra de Deus, da base bíblica. Por meio de seu texto e de suas doutrinas. E ela vem em resposta a revelação da Palavra. Resultando numa confissão de fé e catalogada na teologia sistemática. A confissão de fé é aquilo que chamamos de CREDO. Isto é, aquilo em que acreditamos. A confissão de fé é uma resposta do ser humano ao que Deus lhe comunicou por meio de Sua Palavra (a Bíblia). Essa Palavra contém doutrinas diversas, e estão espalhadas pelas Escrituras. Elas foram catalogadas sistematicamente para que pudéssemos compreendê-las melhor. Um trabalho da teologia sistemática.

Exemplificando biblicamente:

"Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." (Mateus 16:16 ARA). Pedro respondeu com fé ao que lhe foi perguntado por Jesus sobre o que eles diziam sobre ele (v.15). Essa declaração de fé veio em resposta a revelação de Cristo para Pedro, ele falou aquilo que Deus lhe mostrou (v.17). E isso ocorreu por meio da fé diante do que lhe foi revelado: a pessoa de Jesus e o agir de Deus.

"Porém que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação." (Romanos 10:8-10 ARA). Essa palavra da fé que foi pregada produz uma resposta na boca dos que creem. Confessando a Jesus com a boca e crendo no coração no que foi dito sobre ele. E o resultado disso implica em nossa salvação. Essa sinergia produz o firme fundamento em cada cristão, que sob graça divina acreditou e confessou.

"Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido." (Hebreus 5:12 ARA). Nessa passagem bíblica vemos a citação de "princípios elementares dos oráculos de Deus". Isto é, aquilo que foi expresso oralmente e por escrito (do grego "logion") de princípios fundamentais e primários (do grego "stoicheion") a respeito de Deus.

"Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória." (1 Timóteo 3:16 ARA). Nessa outra passagem temos aqui um exemplo claro de um credo cristão exposto pelo apóstolo Paulo.

Os aliados dos fundamentos da fé. Para uma boa fundamentação da fé cristã. Torna-se necessário o uso de aliados pelos quais a igreja conservadora e temente a Deus precisa se apegar. São eles:

1) As confissões históricas

As confissões de fé do passado nos ajudam a economizar tempo, para que não venhamos a discutir o que já foi discutido. Facilitando e resumindo em poucas palavras aquilo que representa a fé da igreja cristã.

Dignos de referência:

O Credo apostólico 390 d.C. (um semelhante foi produzido em 150 d.C.)

O Credo Niceno 325 d.C. (reforçado em 451 no credo Calcedoniano)

O Credo Atanasiano (século IV ou V d.C.)

As Cinco Solas (Reforma Protestante em 1517 d.C.)

Os Cinco Pontos do Fundamentalismo (Reação ao Liberalismo em 1910 a 1915 d.C.)

2) As doutrinas bíblicas

Do estudo e sistematização dos assuntos bíblicos nasceram as doutrinas bíblicas. Pelas quais são explanadas de forma extensa na teologia sistemática ou de forma básica na teologia elementar. Os assuntos catalogados foram:

Escrituras (bibliologia)

Deus (teologia)

Anjos (angelologia)

Homem (antropologia)

Pecado (hamartiologia)

Jesus (cristologia)

Salvação (soteriologia)

Espírito Santo (paracletologia)

Igreja (eclesiologia)

Últimas Coisas (escatologia)

Mais adiante falaremos com mais propriedade dos assuntos acima abordados.

3) As ferramentas textuais

Hermenêutica sacra: é a interpretação da Bíblia. Com seus princípios - gramaticais, histórico/culturais, teológicos e figuras de linguagens.

Exegese bíblica: exame minucioso do texto bíblico com análise da língua original - hebraico, aramaico e grego.

Textos das línguas originais da Bíblia: Textus Receptus, Texto Bizantino e Texto Alexandrino (Novo Testamento) e Texto Massorético (Antigo Testamento). A cristalização dos manuscritos bíblicos.

Dicionário hebraico e grego.

4) A ortodoxia (pensamento ou entendimento certo)

O entendimento correto da Bíblia resulta do uso das ferramentas textuais no estudo dos assuntos da Bíblia, que se apresenta na teologia sistemática e nas confissões de fé. A ortodoxia é a fé fundamentada. Conhecida na Bíblia como Sã Doutrina: "Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina." (Tito 2:1 ARA). "Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;" (2 Timóteo 4:3 ARA).

Tudo aquilo que é conflitante com os fundamentos da fé, com a sã doutrina é definido como heterodoxia (pensamento ou entendimento errado). Conhecido na Bíblia como heresia (1) ou outra doutrina (2).

(1) "Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição." (2 Pedro 2:1 ARA).

(2) "Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade," (1 Timóteo 6:3 ARA).

A importância da ortodoxia

Você já imaginou fazer alguma coisa com o entendimento errado? Exemplo: você tem um entendimento errado sobre a preparação de um churrasco. Como sairá esse churrasco? Ou você tem um entendimento errado sobre certa pessoa. Como você vai interagir emocionalmente com ela?

Na ortodoxia bíblica não é diferente. Se você tem um entendimento errado sobre determinado assunto bíblico, o seu sentimento será afetado e sua prática igualmente.

Assim, para o FUNDAMENTO DA FÉ é necessário que você siga a escala da fé perfeita:

1) Um entendimento correto (ortodoxia)

2) Um sentimento correto (ortopatia)

3) Uma prática correta (ortopraxia).

Se essa escala for quebrada a fé fica sem fundamento. Tornando-se frágil, enganosa e levando ao desvio da verdade.

"Além disso, a linguagem deles corrói como câncer; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto. Estes se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se realizou, e estão pervertendo a fé a alguns. Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor." (2 Timóteo 2:17-19 ARA).

Apresentando os aliados dos fundamentos da fé

Como falamos, esses aliados favorecem a igreja conservadora e temente a Deus a manter firme a sua fé.

As confissões de fé históricas ajudam ao cristão a ter que economizar seu tempo em rediscutir assuntos já resolvidos pelos mestres da igreja do passado. Citamos os credos Apostólico, Niceno e Atanasiano. Esses credos vieram como resposta de fé ao que está revelado na Bíblia e se tornaram fronteiras a cada cristão e igreja local para que tenham limites em suas deliberações e ensinamentos.

O CREDO APOSTÓLICO

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra.

Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja cristã; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.

O CREDO NICENO

Cremos em um Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.

E em um Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Luz da Luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, gerado não feito, de uma só substância com o Pai, pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual, por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne do Espírito Santo e da Virgem Maria, e tornando-se homem, e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos, e padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia conforme às Escrituras, e subiu aos céus para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim.

E no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado, que falou através dos profetas; e na Igreja una, santa, universal e apostólica; confessamos um só batismo para remissão dos pecados; esperamos a ressurreição dos mortos e a vida do século vindouro.

O CREDO ATANASIANO

Quem quiser ser salvo, antes de todas as coisas é necessário que se apegue à fé cristã.

Fé essa que cada um, se não guardar íntegra e incontaminada, sem dúvida perecerá eternamente. E a fé cristã é esta, que adoremos um Deus na Trindade, e a Trindade na unidade; não confundindo as Pessoas, nem dividindo a Substância. Pois existe uma única Pessoa do Pai, outra do Filho e outra do Espírito Santo. Mas a deidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é toda uma só: a glória é igual e a majestade é coeterna. Tal como é o Pai, tal é o Filho e tal é o Espírito Santo. O Pai não foi criado, o Filho não foi criado, e o Espírito Santo não foi criado. O Pai é imensurável, o Filho é imensurável, e o Espírito Santo é imensurável. O Pai é eterno, o Filho é eterno e o Espírito Santo é eterno. E, no entanto, não são três eternos, mas há apenas um Eterno. E não há três que não foram criados e que são imensuráveis, mas um só não foi criado e é imensurável. Assim também o Pai é todo-poderoso, o Filho é todo-poderoso e o Espírito Santo é todo-poderoso. E, no entanto, não são três todos poderosos, mas um só é o todo-poderoso. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. E, no entanto, não são três deuses, mas um só Deus. Igualmente o Pai é Senhor, o Filho é Senhor e o Espírito Santo é Senhor. E, no entanto, não são três senhores, mas um só Senhor. Pois da mesma forma que somos compelidos pela verdade cristã a reconhecer cada Pessoa, por si mesma, como Deus e Senhor. Assim também somos proibidos pela religião cristã de dizer: Existem três deuses ou três senhores. O Pai não foi feito de ninguém; nem criado e nem gerado. O Filho vem somente do Pai: não foi feito e nem criado, mas gerado. O Espírito Santo vem do Pai e do Filho: não foi feito e nem criado, e nem gerado, mas procedente. Assim há um só Pai, e não três Pais; há um só Filho, e não três Filhos, há um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos. E nessa Trindade nenhum é antes ou depois do outro, ninguém é maior ou menor que o outro. Mas todas as três Pessoas são juntamente coeternas e coiguais; de tal modo que, em todas as coisas, foi dito, a Unidade na Trindade e a Trindade na Unidade deve ser adorada. Aquele, pois que quiser ser salvo, deve pensar assim sobre a Trindade.

Outrossim, é necessário para a eterna salvação que creia também, fielmente, na encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois a verdadeira fé é que creiamos e confessemos que nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus é Deus e Homem. Deus da Substância do Pai, gerado antes do mundo; e o Homem da substância de sua mãe, nascido no mundo; Perfeito Deus e perfeito Homem, duma alma razoável e subsistindo em carne humana. Igual ao Pai no tocante à sua Deidade, e inferior ao Pai no tocante à sua humanidade; o qual, embora seja Deus e Homem, contudo não é dois, mas um só Cristo. Um, não mediante a conversão da Deidade em carne, mas por Ter tomado a humanidade em Deus; um, juntamente; não por confusão de Substância, mas por unidade da Pessoa. Pois tal como a alma razoável e a carne formam um só homem, assim Deus e o Homem é um só Cristo. O qual sofreu pela nossa salvação; desceu ao inferno, ressuscitou ao terceiro dia dentre os mortos; e ascendeu ao céu; está sentado à mão direita do Pai, Deus todo-poderoso; donde virá para julgar os vivos e os mortos. Por ocasião de cuja vinda todos os homens ressuscitarão em seus corpos, e prestarão contas de suas obras. E aqueles que tiverem feito o bem irão para a vida eterna; e os que tiverem feito o mal para as chamas eternas. Essa é a fé cristã; a qual, exceto um homem creia nela fiel e fielmente, não poderá ser salvo.

O SURGIMENTO DAS CINCO SOLAS

Com o surgimento e definição dos credos históricos, a igreja cristã passou a formular as doutrinas da Bíblia por meio da teologia sistemática. Entretanto, houve um período da história da igreja cristã que a ICAR - Igreja Católica Apostólica Romana teve o domínio do cristianismo e o seu afastamento gradual de muitas doutrinas da Bíblia. Por isso, antes de falarmos sobre o assunto precisamos expor o surgimento das CINCO SOLAS contrapondo a esse afastamento da ICAR, que é uma confissão de fé histórica aliada da igreja evangélica que preza pela ortodoxia bíblica.

Os 10 séculos de domínio da ICAR

Entre o século V d.C. e XVI d.C. a ICAR teve o domínio do cristianismo. Foi responsável pela preservação do Novo Testamento, mas, em contrapartida, criou um amontoado de dogmas que contrariam a própria Bíblia. Resultado de uma interpretação equivocada da figura do apóstolo Pedro como pedra da igreja e com consequente sucessão apostólica daquele que supostamente tinha a primazia, numa linha seguida dos bispos de Roma, intitulados Papas. Resultando numa criação de dezenas de dogmas dentro do cristianismo que tornaram-se refutáveis, desprezíveis e repreensíveis com o aparecimento dos pré-reformadores e reformadores da igreja cristã.

O título de "Papa" só passa a ser associado ao bispo de Roma como o "líder sobre as demais igrejas cristãs" em 590 d.C. com Gregório I. Embora Inocêncio I em 402 d.C e Leão I em 440 d.C já aspiravam o domínio sobre as demais igrejas cristãs.

Temos uma lista bem grande de acréscimos que a ICAR foi colocando com o passar dos séculos, que findou num rompimento em 1517 d.C., por meio do movimento chamado REFORMA PROTESTANTE. Vejamos abaixo alguns desses acréscimos:

Em 593 d.C. O dogma do purgatório começa a ser ensinado;

Em 649 d.C. A instituição de Maria como eternamente virgem;

Em 789 d.C. O culto às imagens e relíquias;

Em 880 d.C. A canonização dos santos;

Em 1190 d.C. A venda de indulgências;

Em 1200 d.C. Uso do rosário, por São Domingos, chefe da inquisição;

Em 1215 d.C. A transubstanciação é transformada em artigo de fé;

Em 1220 d.C. Adoração a hóstia;

Em 1229 d.C. A proibição da leitura da Bíblia por leigos;

Em 1546 d.C. No Concílio de Trento - os livros apócrifos passam a ser formalmente canônicos (chamados deuterocanônicos: canonizados depois); E Foi conferida à Tradição autoridade igual à da Bíblia;

Em 1854 d.C. É estabelecido o dogma da imaculada conceição de Maria;

Em 1870 d.C. É declarado a infalibilidade papal;

Em 1950 d.C. A assunção de Maria é transformada em artigo de fé.

A REFORMA PROTESTANTE

Com o movimento de reforma avançando por toda Europa, em 31 de outubro de 1517 o monge Martinho Lutero fixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg (na Alemanha) suas 95 teses protestando contra diversos pontos doutrinários da ICAR. Tornando-se o marco do rompimento com a ICAR. Com isso veio: A tradução da Bíblia para outras línguas; a retomada das ferramentas textuais com mais rigor; a formulação da teologia sistemática com o pensamento reformado; o ressurgimento da ortodoxia bíblica; a declaração do sacerdócio universal do cristão; surgimento das igrejas reformadas; resultando, assim, na confissão das cinco solas:

Sola Scriptura (somente a Escritura - a Bíblia)

"Reafirmamos a Escritura Inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado. Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação".

Solus Christus (somente Cristo)

"Reafirmamos que a nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediadora do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação, por si só, são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai. Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e em sua obra não estiver sendo invocada".

Sola Gratia (somente a graça)

"Reafirmamos que, na salvação, somos resgatados da ira de Deus unicamente pela graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e nos erguendo da morte espiritual à vida espiritual. Negamos que a salvação seja, em qualquer sentido, obra humana. Os métodos, as técnicas e/ou estratégias humanas, por si só, não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada".

Sola Fide (somente a fé)

"Reafirmamos que a justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé e somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus. Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser Igreja, mas negue ou condene o princípio da sola fide, possa ser reconhecida como Igreja legítima".

Soli Deo Gloria (somente para Deus é a glória)

"Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver a nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para a sua glória somente. Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se o nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos o evangelho e nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho".

Essa confissão de fé histórica tornou-se outro aliado da igreja cristã conservadora e temente a Deus dentro do movimento da reforma. A Igreja Romana (ICAR) prosseguiu seu caminho fazendo movimento de contra reforma, onde no Concílio de Trento, realizado entre 13 de dezembro de 1545 a 4 de dezembro de 1563, dentre os diversos temas estava a problemática da reforma protestante, e por isso foi chamado também de *Concílio de Contra Reforma.*

PRATICAMENTE, a diferença entre a ICAR e as Igrejas Reformadas *com base nessa confissão de fé das cinco solas* está no "somente" (Sola). A ICAR acreditava e acredita: na Scriptura (Escritura, a Bíblia Sagrada), em Christus (Cristo, Jesus, nosso Senhor e Salvador), na Gratia (Graça divina), na Fide (na fé em Deus) e na Gloria (Glória de Deus). Entretanto, não assegura que SOMENTE estes pontos sejam SUFICIENTES. Motivo esse que levou ao rompimento de Católicos com Protestantes.

AS DOUTRINAS DA BÍBLIA (um dos aliados da igreja fiel e temente a Deus)

A teologia sistemática é encarregada para expor e explicar as doutrinas bíblicas. Elas foram organizadas sistematicamente em seus principais assuntos da Bíblia Sagrada. A apresentação e comentário de TODOS os assuntos bíblicos só encontraremos nos chamados "comentários bíblicos" que recomendo: Comentário Bíblico Moody Antigo e Novo Testamento, Comentário Bíblico Matthew Henry Antigo e Novo Testamento, Antigo e Novo Testamento Interpretado de Champlin e Comentário Bíblico Série Cultura Bíblica.

Isso posto, vamos relembrar o conteúdo catalogado:

Escrituras (bibliologia)

Deus (teologia)

Anjos (angelologia)

Homem (antropologia)

Pecado (hamartiologia)

Jesus (cristologia)

Salvação (soteriologia)

Espírito Santo (paracletologia)

Igreja (eclesiologia)

Últimas Coisas (escatologia)

Se você quiser detectar uma heresia e identificar uma seita, basta apenas analisar o que é dito sobre esses assuntos. As doutrinas da Bíblia são apresentadas de modo amplo por exemplo como ocorre no livro Teologia Sistemática de Stanley Horton ou de modo elementar como ocorre no livro Conhecendo as Doutrinas da Bíblia de Myer Pearlman ou Teologia Elementar de Bancroft. Recomendo também: Teologia Sistemática de Wayne Grudem, Teologia Sistemática de Louis Berkhof, Teologia Sistemática de Millard Erickson. Material que consulto constantemente.

Faremos aqui uma resenha de cada assunto catalogado como DOUTRINAS DA BÍBLIA:

ESCRITURAS

As Escrituras formam um grupo de livros que chamamos de Bíblia (coleção de livros, do grego "biblos"). É a Palavra de Deus escrita, verbal. Composta em seus cânones de 66 livros. Dividida em Velho Testamento (39 livros) e Novo Testamento (27 livros). Foi escrita em hebraico, aramaico e grego. Produzida por, aproximadamente, 40 autores. Foi composta no período da revelação divina, que durou aproximadamente 1.500 anos. Sendo que a sua maior parte do tempo se deteve no Velho Testamento. O seu primeiro livro, Gênesis, data aproximadamente 1.405 a.C., e o último livro data aproximadamente 95 d.C. (Segundo a Bíblia de Estudo MacArthur). Contendo temas principais, que são: a criação do mundo, queda da humanidade, promulgação da Lei divina, criação do povo de Deus, manifestação do Evangelho, surgimento da igreja de Deus, o julgamento divino e a criação de novo mundo. Seu conteúdo contém: história, teologia, canção, oração, poesia, filosofia, figura de linguagem, ensino e lei.

Ela é que produz fé no ouvinte, é viva e eficaz, penetrante na alma e espírito humano. Seu conteúdo ilumina a caminhada das pessoas na terra como uma lâmpada. Figurada como a espada do Espírito. Por isso, seu conteúdo é inspirado por Deus, pelo Espírito Santo; e traz ensino, repreensão, correção, para que aquele que lê ou ouve, possa ser um praticante da justiça. A Bíblia é nossa única regra de fé e prática. Tudo aquilo que em matéria de fé, religião ou doutrina, ultrapassa, diminui ou distorce a Bíblia é considerado uma heresia. Assim, fora a Bíblia, não existe outra fonte doutrinária de comunicação divina com as pessoas.

Referencias bíblicas: Rm.10.17; Sl.119.105; Ef.6.17; Hb.4.12; 2Tm.3.16; 2Pe.1.20-21; 1Co.4.6; Pv.30.5,6; Dt.4.2; Gl.1.8; Hb.1.1; Ap.22.18,19; 1Tm.6.3-5; 2Pe.2.1,2; Tt.2.1; 2Tm.4.2-5.

DEUS

Deus é um ser. Pelos seus atributos constatamos que Deus não é nem uma coisa e nem uma força. Vejamos:

Seus ATRIBUTOS NATURAIS (sua natureza): Deus é espírito, imaterial (Jo.4.24), é invisível e imortal (1Tm.1.17), é onipotente (Sl.91.1), onipresente (1Reis 8.27), onisciente (Hebreus 4.13), é atemporal, eterno (Is.40.28), ilimitado e imensurável (Rm.11.33-36); que governa soberanamente todas as coisas (Sl.103.19; 2Cr.29.12; Jr.10.23; Lm.5.19) que o torna todo suficiente.

Seus ATRIBUTOS MORAIS (seu caráter): Deus é fiel (2Tm.2.13), bom (Sl.100.5), paciente (Números 14.18), amor (1Jo.4.8), gracioso e misericordioso (Sl.103.8), santo (Lv.11.44), reto e justo (Dt.32.4).

Seus ATRIBUTOS PESSOAIS (sua personalidade): Deus pensa (Is.55.9), raciocina (Rm.11.34), tem livre arbítrio (Rm.9.14), se alegra (Ne.8.10), se entristece (Ef.4.30) e se ira (Rm.1.18). Deus tem nome: Ele chama-se EU SOU (Êx.3.14), YHVH (Êx.3.15), alguns biblicistas pronunciam: Yahveh ou Yehvah ou Yehovah. Nas formas aportuguesadas: Javé, Jevá ou Jeová. (Todavia, são apenas tentativas de saber a pronúncia, são palavras híbridas). Essas consoantes são impronunciáveis, as chamam de tetragrama. E, por fim, o nome mais popular: Jesus. Deus em carne: "Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: Deus foi manifestado em corpo, justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória". (1 Timóteo 3:16 NVI*, na BKJ também*). Jesus, do grego Iesous, o filho de Deus, Salvador da humanidade, Deus encarnado. Transliteração de Yeshua, uma abreviação de Yehovshua: Josué, que tem o mesmo significado e usada na LXX com a flexão de "Iesous" que é "Iesoun". (Ver Nm.13.16 BHS e LXX), que significa: YHVH é salvação. Reflita: Deus é soberano, sua natureza resume nisso. Deus é amor, seu caráter resume nisso. Uma força ou coisa impessoal não tem como ser nem um nem outro.

* Observação: Traduções com base no texto grego Bizantino e Textus Receptus, apenas o texto Alexandrino omite "theos" (Deus) nesse versículo.

Deus não é um ser solitário.

Deus é uma Trindade. Você acha que Deus nos fez para fazer companhia a Ele? Ou os anjos para Ele poder ter um relacionamento? Não, assim como Deus é atemporal, ele também é interpessoal. Ele é eternamente uma comunidade de três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Observe as passagens bíblicas: Em Gênesis 1.26 encontramos Deus criar o ser humano onde o texto usa palavras no plural: "façamos" e "nossa". Quem poderia participar da obra da criação se não apenas Deus? Em Isaías 44.24 diz que Deus fez tudo sozinho, se não foram os anjos que o ajudaram a criar, logo ele não estava sozinho quando fez o homem. E nem quando relatou com o referido profeta quando Deus o interrogou: "A quem enviarei, e quem há de ir por nós?" (Is.6.8 ARA). Veja também: Gênesis 3.22 e 11.7. Reflita sobre isso: Não tem como Deus ser todo suficiente e ser uma única pessoa. Pois amar envolverá sempre outra pessoa, se Deus é uma única pessoa ele não ama por toda a eternidade, mas só passou a amar quando criou outros seres. Logo não é todo suficiente, mas dependente. Timothy Keller (2008. P.183,184) explana mais essa reflexão:

"Se Deus fosse unipessoal, antes de criar os outros seres não havia amor, já que amor é algo que alguém sente por outrem. [...] Se ele fosse apenas um, não poderia amar por toda a eternidade. Se ele fosse apenas o todo alma impessoal do pensamento oriental, não poderia amar, pois o amor é um sentimento próprio dos seres. As religiões orientais acreditam que a personalidade individual é uma ilusão, logo, o amor também o é. Chesterton escreveu: 'Para o budista... a personalidade é a queda do homem, para o cristão, é o propósito de Deus, a razão de ser de sua ideia cósmica'. É o propósito de Deus, pois Ele, essencial e eternamente, é amor interpessoal. A realidade suprema é uma comunidade de indivíduos que se conhecem e se amam [...] este mundo não foi criado por um Deus que é apenas um indivíduo, bem como não é a encarnação de uma força impessoal [...] Acreditamos que o mundo foi criado por um Deus que é uma comunidade de pessoas que têm amado umas às outras por toda a eternidade". (Livro CADIC, p.38-40).

Portanto, por ser todo suficiente, Deus não depende de ninguém para nada. Nem para amar. Ele ama entre si em sua Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Exemplos na Bíblia: O Pai ama o Filho (Jo.3.35), o Filho ama o Pai (Jo.14.31), o Espírito de Deus ama Jesus (1Co.12.3; Mt.3.16,17). Como disse C. S. Lewis: "Todo mundo gosta de repetir a declaração cristã de que 'Deus é amor', mas as pessoas parecem não notar que as palavras 'Deus é amor' não têm sentido real se Deus não contiver pelo menos duas pessoas. O amor é algo que uma pessoa sente por outra. Se Deus fosse uma única pessoa, então, antes do mundo ter sido feito, ele não era amor". (Cristianismo Puro e Simples, p.228). Ora, alguns podem questionar levando o entendimento da frase cristã "Deus é amor" para uma interpretação de que o escritor bíblico neotestamentário estava dizendo que "o amor é Deus". Entretanto, isso é um entendimento errado. O comentário bíblico sobre 1 João 4.8 rechaça isso: "A ausência do artigo (Deus é o amor) indica que o amor não é simplesmente uma qualidade que Deus possui, mas o amor é aquilo que Ele é por Sua própria natureza. Mais ainda, sendo Deus amor, o amor que Ele demonstra brota dEle mesmo e não externamente. A palavra Deus está precedida por um artigo, que significa que a declaração não é reversível; não se pode ler, O amor é Deus". (Moody).

ANJOS

De Gênesis ao Apocalipse os anjos são mencionados com destaque; cento e oito vezes no Antigo Testamento e cento e setenta e cinco vezes no Novo Testamento. São vistos por toda a história sagrada. Suas atividades no céu e sobre a terra, no passado, são registradas em ambos os Testamentos, como também suas futuras manifestações são profeticamente reveladas.

Suas características:

Eles são seres criados (ver Sl.148.2,5), os anjos não são eternos como Deus, nem auto-existentes, porém criados. Quando foram criados os anjos? A Bíblia não fornece resposta definida para essa pergunta. Mas há uma passagem pela qual podemos saber, por inferência, que foram criados no princípio, quando Deus, na pessoa do Filho, criou todas as coisas visíveis e invisíveis. Conforme lemos: "porque n'Ele foram criadas todas as coisas, nos Céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis: Tronos, ou domínios, ou principados, ou potestades; todas as coisas têm sido criadas por Ele e para Ele". (Colossenses 1.16 BTX). Onde nas palavras de Deus para Jó descreve que eles já tinham sido criados quando Deus lançou os fundamentos da terra (ver Jó 38.4-7).

Seres poderosos (ver Sl. 103.20), os anjos são uma classe de seres criados superiores aos homens (ver Sl.8.5 ARC BKJA; Hb.2.7). Eles são dotados de poder sobre-humano; contudo, esse poder tem seus limites estabelecidos. Os anjos são poderosos, mas não todo-poderosos. Diz o Salmos que eles são "valorosos em poder" (ARA), "magníficos em poder" (ARC), "poderosos em fortaleza" (BTX). Deus fez por bem dotar os anjos de poder tal que, aos homens, causasse assombro e conclusão da imensurável grandeza divina.

Além das características citadas acima, podemos passar de relance que: são seres espirituais (ver Hb.1.13,14), pessoais (ver Jd.1.6), não se casam (ver Mt.22.30), são imortais (ver Lc.20.35,36), são velozes (ver Dn.9.21), são dotados de inteligência superior (ver Mt.24.36), são gloriosos (ver Lc.9.26), de várias patentes (ver 1Ts.4.16; Is.6.2; Sl.99.1) e seres numerosos (ver Dn.7.10)

Sua natureza moral:

Anjos bons: aqueles que ficaram do lado do Senhor Deus Todo-poderoso (Sl.91.11; 148.2).

Anjos maus: aqueles que se rebelaram contra o Senhor Criador (ver Jd.1.6; 2Pe.2.4; Ef.6.12). Inclusive Satanás (ver 2Co.11.14), chamado de Belzebú: chefe dos demônios (ver Mc.3.22). Pois o Diabo tem os seus anjos (ver Mt.25.41), isto é, aqueles que se rebelaram com ele contra Deus.

HOMEM

A criação do homem foi decretada por Deus em sua Trindade: "E disse Elohim: Façamos um homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança, e exerçam domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre o gado, sobre toda a terra, e sobre todo réptil que rasteja sobre a terra. E Elohim Alef-Tav criou o homem à sua imagem: À imagem de Elohim o criou, macho e fêmea os criou". (Gênesis 1.26,27 BTX).

O termo "homem" é uma definição da espécie humana. Sendo composta de "macho" e "fêmea". Criado por Deus para que pudesse refletir a sua imagem e feito para a sua glória. Sendo dotado da capacidade de se reproduzir em sua essência integral (material e imaterial) através da reprodução natural. Assim, Deus o formou de 1) carne (corpo) vindo do pó da terra; 2) colocou nele espírito (o sopro divino pertencente ao Criador) e 3) com isso ele se tornou um ser com alma (razão, vontade e pensamentos). Conforme lemos: "E do pó do solo formou Elohim ao homem [1], e insuflou em suas narinas fôlego de vida [2], e o homem chegou a ser alma vivente [3]". (Gênesis 2.7 BTX). E desta versão humana masculina Deus fez uma cópia na versão feminina: "E Elohim fez cair sobre o homem um êxtase, e o fez dormir. E tomou uma de seu costado e fechou a carne em seu lugar. E do costado que Adonai Elohim havia tomado do homem, formou a mulher e a levou ao homem". (idem v.21-22). Com os mesmos elementos: corpo, espírito e alma.

A condição original do homem, por ter a imagem e semelhança de Elohim, era de existência interminável, plena saúde, de natureza intelectual, racional e volitiva. Dotado de livre arbítrio. Enfim, de semelhança aos atributos morais de Deus. Feito segundo o modelo e padrão apresentados em Cristo. A diferença é que o homem foi criado, porém Cristo foi gerado. O primeiro pecou, desobedeceu a Deus, trouxe maldição sobre a Terra e perdição aos homens. O segundo acertou, obedeceu a Deus, trouxe a redenção do homem (ver Rm.5.18,19).

A condição depravada do homem depois da Queda, de sua condição original causada pela desobediência, passou a ter fim a sua existência terrena, sendo o seu espírito recolhido a Deus (ver Ec.12.7) com consequente condenação por intermédio da morte (ver Hb.9.27), sua vida e saúde tornaram-se vulneráveis aos males da tragédia, da miséria e da enfermidade (ver Gn.3.19; Rm.5.12; Sl.38.3; Lm.3.39), seu intelecto, raciocínio e vontade ficaram mergulhados na iniquidade (ver Gn.6.5; Rm.3.11).

Escravo da sua vontade (ver Ef.2.3), o homem passou a ser pecador (ver Rm.3.23; Ec.7.20; Jo.8.34). Pois a sua vontade ficou escrava do pecado (ver Rm.7.14-24); necessitado de remissão e redenção (ver Jo.8.36; Tt.2.14; Ef.1.7). De modo que os não-redimidos acham-se impotentes ao cativeiro do pecado e de Satanás (ver 1Tm.3.7; 2Tm.2.26; 1Jo.3.8-10), sendo considerados filhos do diabo. O homem que Elohim havia criado à sua imagem e semelhança ficou como um espelho totalmente sujo ou nublado sem visibilidade, isto é, sem o reflexo de Deus em sua vida.

PECADO

"O pecado como ato é transgressão voluntária de uma lei de Deus. Pode ser uma comissão ou uma omissão proposital e pode ser expresso em ação, palavra ou pensamento. Armínio define pecado como o desvio de uma regra concebida por Deus, expressa por Sua lei, seja ela perceptiva do bem ou proibitória do mal [...]. O teólogo holandês diferencia os pecados, quanto à sua causa, em pecados de ignorância (quando se faz algo sem conhecer que é pecado), de fraqueza (quando se peca por medo, paixão ou pertubação mental), de malignidade (quando é deliberadamente intencionado) e de negligência (quando alguém é surpreendido por um pecado". (Livro Depravação Total, por Kleber Maia, p.40,41).

A doutrina do pecado está intrínseca na doutrina do homem quanto a sua Queda, a sua condição depravada adquirida depois desse fatídico evento. E deriva do mal infestado nas hostes celestes no tocante a rebelião angelical contra Deus.

"A consequência imediata da transgressão humana foi a sua alienação de Deus [...] e perda da graça divina. Isto lhe causou a morte espiritual, com a consequente degradação moral e a morte física. Assim, o pecado passa a ser uma realidade na vida humana, tanto como um ato assim como um estado ou condição [...] Desde o primeiro casal até os dias atuais, a característica marcante de todos os homens, em todas as nações e raças, e em todos os lugares, é a sua maldade [...] o homem inteiro está maculado pelo pecado. Todos os atos, pensamentos, vontades, desejos, escolhas e emoções de todos os homens são ímpios aos olhos de Deus [...] o ser humano está destituído de todo bem. Sem a comunicação da graça divina, o ser humano é totalmente incapaz em assuntos espirituais. Ele nasce em estado de morte espiritual [...] como os homens estão corrompidos, eles geram filhos igualmente corrompidos, pois cada um produz o seu igual (Jó 14.4; Mt.7.17,18; Lc.6.43), o que reforça a universalidade do pecado". (idem, p.39, 45, 47, 48).

O pecado tem a sua definição mais direta na carta de João quando ele escreve: "Toda pessoa que vive costumeiramente pecando também vive em rebeldia contra a Lei, pois o pecado é a transgressão da Lei". (1 João 3.4 BKJA).

O pecado afetou os Céus e a Terra.

Os Céus: em Efésios 6.11,12; Apocalipse 12.7-9; Isaías 14.12-15; Jó 1.6; Zacarias 3.1; Lucas 10.18 revelam que "o pecado e queda de Satanás afetaram aos céus, infestando as regiões celestes com seres caídos. Ele mesmo, evidentemente, tem acesso aos céus, e seus emissários infestam os lugares celestiais, onde fazem guerra contra o cristão". (Bancroft).

A Terra: em Gênesis 3.17,18; Isaías 55.13 revelam que "o reino vegetal foi amaldiçoado por causa do pecado do homem" (Bancroft). Em Gênesis 9.1-3; Isaías 11.6-9 revelam que "o reino animal tem sofrido as consequências do pecado do homem; tanto a natureza do homem como a dos animais foi afetada". (Bancroft). Em Romanos 6.17 e Efésios 2.1 revelam que "o pecado furtou do homem sua mais verdadeira vida e liberdade, e o transformou em um vil escravo, impondo o silêncio da morte sobre suas faculdades e poderes espirituais". (Bancroft).

JESUS

Jesus é o filho de Deus Pai gerado desde a eternidade e filho do homem nascido da virgem Maria, preexistente como pessoa da Trindade, existente como pessoa humana a partir do seu nascimento. Como divino: ele é eterno, atemporal e imaterial, todavia, enquanto inserido no mundo: si tornou temporal e material: um ser humano notável diante dos que o viram e perfeito em sua humanidade; como último Adão, formado por Deus. Porém limitado, sujeito a todas as dificuldades humanas. Enquanto Deus conosco, conhecedor de todas as coisas, com todo poder e presença, mas, em sua encarnação, si anulou pra resgatar a raça humana de seu estado de desgraça. A sincronia de suas naturezas: divina e humana estão descritas nas narrativas dos Evangelhos e ensinos nas cartas do NT. Sua descrição profética do VT é como o Messias (o Cristo) prometido ao povo de Israel. Reconhecido pela igreja cristã em seu colégio apostólico como o Salvador.

Referências bíblicas: Mq.5.2; Jo.1.18; Lc.2.7; Jo.8.58; Jo.1.1-3; Gl.4.4; Is.9.6; Jo.1.14; Fp.2.6-8; Jo.3.16; 1Co.15.45; 1Jo.4.9; Mt.21.18; Jo.11.35; Jo.4.6; Mt.26.37; Lc.23.43; Jo.21.17; Jo.16.30; Jo.10.33; Jo.16.33; Mt.16.16; At.13.23; Fp.3.20; 1Jo.4.14.

SALVAÇÃO

É o ato bondoso e gracioso de Deus de nos restaurar da situação em que ficamos depois que o casal ancestral comum da humanidade: Adão e Eva - caíram em desobediência ao criador. Ele fez isso enviando seu filho, Jesus Cristo, ao mundo para que ele fosse obediente em tudo e pagasse a nossa dívida com Deus por meio de sua morte. Para que então Deus concedesse aos pecadores o milagre da restauração, da regeneração. De serem salvos de sua prisão espiritual em que Adão si sujeitou e nos sujeitou.

A salvação tem uma atuação no nosso tempo: a) Quanto ao passado - lida com a remoção de nossa culpa. Onde Cristo morreu por nós na cruz, consumando o perdão de nossos pecados. b) Quanto ao presente - aproximação de Deus por meio de Cristo, na justificação e santificação; trabalhando o novo homem por meio do Espírito Santo, com regeneração. c) No futuro - a redenção completa do corpo e do ser humano, a glorificação.

Salvação tem por significado principal tornar ao estado perfeito ou restaurar o que a queda causou. Os versos chave em que nos apresenta esse entendimento é At.3.21 (restauração, na versão ARA) que na língua do texto do NT quer dizer restauração: de uma teocracia verdadeira; do estado perfeito antes da queda. E também Mt.19.28 (regeneração, na versão ARA) que na língua do texto do NT quer dizer: novo nascimento, renovação, regeneração. Frequentemente usada para denotar a restauração de algo ao seu estado primitivo.

Referências bíblicas: Ef.2.1-10; Rm.5.18,19; 1Pe.1.18-23; Cl.1.13,14; Rm.3.21-26; Rm.6.23; Jo.3.16-21; 2Co.5.18-21. Fonte: Livro CADIC, p.84-88

ESPÍRITO SANTO

O Espírito de Deus procede do Pai e do Filho (Jo.15.26), é a terceira pessoa da Trindade (Mt.28.19). Foi enviado para Terra (Jo.16.7) e dar prosseguimento ao plano de salvação (Tt.3.5). Ele é uma pessoa o tanto quanto o Filho é uma pessoa, pois veio para ser o outro consolador (Jo.14.16). O Espírito de Deus traz a mesma palavra que se aplica aos anjos: "pneumata" (traduz "espíritos" Hb.1.14, da raiz "pneuma", espírito), onde não se discute a personalidade deles. Evidentemente não se deveria questionar a personalidade do Espírito de Deus, uma vez que é espírito, que se entristece (Ef.4.30), fala (Ap.2.7), testemunha (Jo.15.26), guia (Jo.16.13), refuta (Jo.16.8) e ensina (Jo.14.26).

O Espírito de Deus não teve seu nome revelado, pois Ele não veio para falar de si mesmo (Jo.16.13), mas para glorificar o Filho (Jo.16.14); sua missão é guiar os cristãos (Rm.8.14), testificar em seus corações que são filhos de Deus (Rm.8.16), fazê-los nascer de novo (Jo.3.5), refutar as pessoas do mundo de seus pecados, mostrando o que é certo e alertando o julgamento divino que virá (Jo.16.8).

IGREJA

A palavra igreja representa uma coletividade, jamais pode ser conceituada no individual. O termo "igreja" na língua original do NT significa: "reunião de cidadãos chamados para fora de seus lares para algum lugar público, assembleia" (fonte: James Strong). Algumas vezes representa "assembleia dos israelitas" ou "assembleia dos cristãos" (idem). Também vem a ser a "totalidade dos cristãos dispersos por todo o mundo" (idem). Por isso, a palavra igreja, quando associada aos cristãos, pode ser classificada como igreja visível (também chamada de igreja local) e igreja invisível.

Que é a Igreja visível?

Assembleia dos cristãos. A representação visível da igreja invisível. Uma determinada quantidade de cristãos que se reúnem em um lugar em nome de Jesus, cuja base inicial é dois ou três reunidos. Composta por líderes espirituais: pastores, presbíteros ou bispos. Com auxiliares: os diáconos. Composta de cristãos legítimos e nominais. É na igreja visível por onde os cristãos professos são inseridos por meio do batismo nas águas ou recebidos. E nela exercem seus dons e talentos pra glória de Deus; se celebram cultos e a ceia do Senhor. A igreja visível é a embaixada de Cristo. E seus membros os embaixadores. É também chamada teologicamente de IGREJA LOCAL.

Referências bíblicas: 1Co.1.2; At.14.23; Fp.1.1; At.20.28; Rm.16.1,2; Fp.2.29; Fm.1.17; 1Co.11.22-26; Mt.18.20; 1Co.14.26; Hb.10.25; 2Co.5.20.

Que é a Igreja invisível?

Igreja invisível é o número completo dos eleitos que têm sido e que hão de ser reunidos em um corpo sob Cristo, o Cabeça. (fonte: Catecismo Maior de Westminster, p.75. Pergunta 64). A igreja invisível é composta apenas de salvos. Seja dos que estão vivos, seja dos que estão mortos. É o corpo de Cristo em sua plenitude. É também chamada teologicamente de IGREJA UNIVERSAL.

Referências bíblicas: Ef.1.10,22,23; Jo.11.52; Jo.10.16; Hb.12.22,23; Ef.4.4-6; Ef.4.12-16; 1Co.12.27.

ÚLTIMAS COISAS

A doutrina das últimas coisas contém assuntos bíblicos que são pontos pacíficos entre a igreja reformada e evangélica ortodoxas e conservadoras. São eles: Jesus vem; os cristãos fiéis serão arrebatados; haverá a ressurreição dos mortos; os degenerados, o diabo e seus anjos serão condenados; e haverá novos céus e nova Terra. Os demais pontos, fora esses, não há uma unanimidade entre os cristãos protestantes/evangélicos. A Igreja Cristã Gileade expõe todos os pontos em seu Credo, detalhando-os no livro Igreja Gileade, editora Hotmart, no tocante aos pontos pacíficos e aos demais (sugiro aos pertencentes a Gileade que leiam o livro a partir da página 321). Explanaremos abaixo somente "os pontos pacíficos" entre todas igrejas ortodoxas e conservadoras:

JESUS VEM!

A palavra grega usada donde vem as traduções da Bíblia "vinda" de Jesus é "parousia", quer dizer "presença, vinda, chegada, advento, a volta futura e visível de Jesus do céu, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, e o estabelecimento formal e glorioso do reino de Deus". (dicionário grego de J. Strong). Segundo J. D. Douglas, esse termo "era empregado no grego helenístico para designar a visita de um governante. O mesmo Jesus que subiu ao céu visitará novamente a terra fazendo-se pessoalmente presente". (Dicionário bíblico p. 511). Conforme lemos na Bíblia:

"e lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir." (Atos 1:11 ARA).

E. H. Bancroft adverte: "... a vinda de Cristo não deve ser identificada com a destruição de Jerusalém, em 70 d.C. [...]. O julgamento de Deus contra Jerusalém não é o acontecimento referido na maioria das passagens em que a segunda vinda de Cristo é mencionada. Por ocasião da destruição de Jerusalém, aqueles que morreram em Jesus não foram ressuscitados; os cristãos vivos não foram arrebatados ao encontro do Senhor nos ares, nem seus corpos foram transformados. Anos após essa ocorrência, encontramos João ainda aguardando a vinda do Senhor, Ap.22.20. Segundo Ap.20,5,6 e outras passagens do Novo Testamento, um reino de justiça e paz deve seguir-se imediatamente à volta de Cristo. Isso, todavia, não ocorreu, nem por ocasião nem depois da destruição de Jerusalém". (p. 326). Podemos acrescentar ainda que a data em que o livro de Apocalipse foi escrito é posterior ao ano 70 d.C., A Bíblia de Estudo MacArthur afirma que o "Apocalipse foi escrito na última década do século primeiro (c. 94-96 d.C.), próximo do final do reinado do imperador Domiciano (81-96 d.C.)". Na Bíblia de Estudo King James diz: "João escreveu o Apocalipse por volta do ano 93 d.C., [...] depois do terrível reinado de Nero (54-68 d.C.), e ao final da era de Domiciano (81-96 d.C.)., [...] O apóstolo João, sem citar nomes, faz uma profunda analogia entre a maligna estratégia política de Domiciano e os líderes mundiais despóticos e maquiavélicos de todas as épocas, especialmente com o último anticristo". Robert H. Gundry, Pd.D., consta que: "a data tradicional e mais provável do livro de Apocalipse é o reinado de Domiciano (81-96 d.C.) [...] Irineu, um dos primeiros pais da Igreja, datou explicitamente a redação do Apocalipse como pertencente à época do reinado de Domiciano. O testemunho de Irineu é de fato impressionante, porquanto ele era um dos protegidos de Policarpo (60-155 d.C.), o bispo de Esmirna que aprendera a doutrina cristã sob a tutela do apóstolo João". (Panorama do Novo Testamento, p.409). George Eldon Ladd confirma que: "A tradição credita o Apocalipse à última década do primeiro século, quando Domiciano era imperador de Roma (81-96 d.C.). Alguns estudiosos sugeriram datas mais antigas o que é improvável". (Série Cultura Bíblica, Apocalipse, p.9). Russell Champlin comprova que: "Irineu e Eusébio afirmam categoricamente que o Apocalipse foi escritor no tempo de Domiciano (ver Eusébio, História Eclesiástica iii.18.3 e Irineu, Adv. Haer. v.30.3) esse testemunho foi aceito sem hesitação por Clemente de Alexandria, Orígenes e Jerônimo". (Comentário introdutório de Apocalipse p.357). E J. D. Douglas Ph. D., apoia que: "... Irineu e Eusébio, os quais afirmam categoricamente que o livro foi escrito no tempo de Domiciano. Isso é sustentado por certo número de indicações de tipo geral dentro do próprio livro [...] fala sobre certos grupos de cristãos, taxando-os de complacentes e a declinar espiritualmente. No reinado de Nero, a igreja ainda era muito jovem e vigorosa. Por volta do tempo de Domiciano havia mais possibilidade de desenvolvimento e degeneração. A maioria dos eruditos de hoje estão de acordo que a data posterior é preferível". (Dicionário Bíblico, p.88). John Davis fecha dizendo que: "A opinião tradicional, pela voz de Irineu, diz que o Apocalipse foi escrito no fim do reinado de Domiciano, ano 96 d.C. Existem provas muito abundantes dando a prisão do apóstolo na ilha de Patmos, ordenada por Domiciano e seu regresso a Éfeso depois da morte daquele tirano". (Dicionário Bíblico, p.44).

Diante desses depoimentos a frase de Apocalipse ressoa devastadoramente ao preterismo total:

"E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras [...] aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!" (Apocalipse 22:12, 20 ARA).

O DEPOIMENTO DAS ESCRITURAS SOBRE A VINDA DE JESUS

Pelo depoimento das Escrituras, é evidente que o Dia do Senhor, procede a vinda de Cristo e só ocorrerá depois de se revelar o anticristo:

"Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o Dia do Senhor. Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus." (2 Ts 2:1-4 ARA).

O texto aqui é claro que: 1) a vinda ("parousia") de Jesus procede do ajuntamento presencial da igreja com ele; 2) a revelação do anticristo precede ao Dia do Senhor; 3) ninguém nos engane com essa heresia (em nossa realidade hoje: a heresia do preterismo total); 4) pois primeiro virá a apostasia e será revelado o homem da iniquidade (a negação da fé cristã e surgimento do anticristo); 5) ele se assentará no santuário de Deus. Ninguém em sã consciência afirmaria que esses fatos já ocorreram. Só os hereges do preterismo total.

"Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória." (Colossenses 3:4 ARA). Aqui o apóstolo Paulo associa a volta de Jesus a outra palavra grega que merece atenção é "phaneroo" (ARA traduz aqui "manifestar") que quer dizer "tornar manifesto ou visível ou conhecido o que estava escondido ou era desconhecido, manifestar [...] expor a visão, tornar manifesto, mostrar-se, aparecer [...] visível, perceptível. (dicionário grego de J. Strong).

"Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória." (Mateus 24:30 ARA). Aqui Mateus escreve "phaino" (ARA traduz aqui "aparecerá") que quer dizer "trazer a luz [...] tornar-se evidente, ser trazido a luz, tornar-se visível, aparecer [...] ser visto". (dicionário grego de J. Strong).

"assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação." (Hebreus 9:28 ARA). A expressão "aparecerá segunda vez" é irrefutável. Na tradução BTX coloca "será visto pela segunda vez". Isso porque as palavras gregas "ophthesetai" e "deuterou" que estão presentes no verso significam: "permitir-se ser visto, aparecer" e "segundo, seguinte" (J. Strong).

Os cristãos fiéis serão arrebatados

Essa é outra verdade fundamental da fé cristã. De que Jesus vem buscar o seu povo. Ele prometeu isso:

"Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também." (João 14:1-3 ARA).

O santo apóstolo Paulo disse:

"Todavia, irmãos, não queremos que sejais ignorantes em relação aos que já faleceram, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, também devemos crer que Deus, por meio de Jesus, vai trazer com ele os que já faleceram. Afirmamos pela palavra do Senhor que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já faleceram. Porque, ouvida a voz do arcanjo e ressoada a trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu com grande brado, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com essas palavras". (1Ts.4.13-18 AXXI).

A passagem bíblica aqui é óbvia. O que temos mais a dizer sobre isso? Apenas exegese de algumas palavras. Vamos lá:

"vinda do Senhor" (verso 15), do grego "parousian tou kuriou" onde "parousian" é raiz da palavra "parousia" que já falamos mais acima. Portanto não se trata de um acontecimento histórico, como os hereges do preterismo total fazem. Mas de um evento futuro, visível em que Jesus se fará presente, chegar, para cumprir o que ele prometeu em João 14.1-3. Nos levar daqui dessa terra.

"o próprio Senhor descerá do céu" (verso 16), do grego "autos ho kurios katabesetai ap uranou". Onde temos várias palavras a definir aqui: "autos" quer dizer "ele próprio, o mesmo". (dicionário grego de James Strong). Depois enfatiza: "ho kurios", isto é, o Senhor. "Título dado a Deus, ao Messias". (James Strong). É ele próprio que virá! Em pessoa! A palavra "katabesetai" quer dizer "descer, vir para baixo, abaixar". (J. Strong). Da raiz "katabaino", no caso da conjugação é "descerá, virá, abaixará". Daí vem a palavra seguinte completando "ap uranou" onde "ap" é preposição "do" significa no grego: "de origem, do lugar de onde algo está" (James Strong). Associa-se a "uranou" desse lugar, da raiz "ouranos" que se refere aos "céus siderais ou estrelados", e também a "região acima dos céus siderais, a sede da ordem das coisas eternas e consumadamente perfeitas, onde Deus e outras criaturas celestes habitam". (J. Strong). Enfim, isso tudo quer dizer em tradução livre: "o Senhor Jesus, pessoalmente, descerá do seu lugar aonde habita".

"arrebatados com eles nas nuvens" (verso 17), do grego "hama sun autois arpagesometha en nephelais". Onde a palavra "hama" vem do grego "ao mesmo tempo, de uma vez, junto" (J. Strong) e "sun" quer dizer "com" (J. Strong), depois vem "autois" no caso aqui "eles mesmos" da raiz "autos", no contexto do verso grego associando num advento os vivos com os mortos. Que advento é esse? A próxima palavra grega responde "arpagesometha", da raiz "harpazo" quer dizer "pegar, levar pela força, arrebatar" (J. Strong) no caso aqui da conjugação é "pegos, levados pela força, arrebatados". Nas palavras seguintes temos "en" (em) e "nephelais" da raiz "nephele" isto é "nuvem" (J. Strong) no caso "nuvens" essa mesma palavra é empregada na LXX aos israelitas conduzidos por essa nuvem no deserto. Enfim, isso tudo quer dizer em tradução livre: "arrebatados, pegos, levados ao mesmo tempo em nuvens".

"ao encontro do Senhor nos ares" (verso 17b), do grego "eis apantesin tou kuriou eis aera". Onde a palavra "eis" aparece duas vezes na frase quer dizer "em, até, para, dentro, em direção a, entre" (J. Strong) na primeira o contexto grego sugere "em direção a" pois a palavra grega seguinte é "apantesin" da raiz grega "apantesis" quer dizer "encontro"; depois vem a frase grega "tou kuriou" literalmente "do Senhor" (título dado a Deus, ao Messias); e por fim "eis" na segunda vez o contexto grego sugere "até" pois a palavra grega seguinte é "aera" da raiz grega "aer" quer dizer "o ar, a região atmosférica". Enfim, tradução livre: "em direção a encontro do Messias até os ares".

Haverá a ressurreição dos mortos

Essa parte fica toda esclarecida com nossa exegese acima do texto de 1 Tessalonicenses 4.15-17, onde o santo apóstolo Paulo fala do arrebatamento ao mesmo tempo dos vivos e mortos ao encontro de Jesus. E para isso ocorrer os mortos ressuscitarão conforme está escrito do verso 13 e 14. Só que aqui nessa passagem bíblica trata apenas da ressurreição dos verdadeiros crentes de todas as épocas. Da ressurreição do povo de Deus. Mas também haverá a ressurreição final, uma ressurreição para condenação ou vida eterna. Conforme está escrito:

Palavra de Jesus: "Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo." (João 5:28-29 ARA).

O profeta Daniel falou sobre isso:

"Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno." (Daniel 12:2 ARA).

O tema "ressurreição" é algo fundamental da fé cristã. Porque Jesus ressuscitou dentre os mortos. A sua ressurreição é primogênita dentre todos (ver 1Co.15.20; Cl.1.18; Ap.1.5). Pois Deus fará isso com todos, para ressurreição da vida ou da morte (ver Ap.20.5,6; Mt.8.11-12). A ressurreição de Jesus é intrínseca a ressurreição da vida eterna aos justos (ver Jo.11.23-26; Jo.10.10; Jo.6.39-40). Por isso o santo Apóstolo Paulo escreveu:

"Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens." (1 Coríntios 15:12-19 ARA),

Concluo esse tema dizendo que: quem nega a ressurreição dos mortos, nega a ressurreição de Jesus, e isso implica perdição eterna. Pois está escrito: "Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo." (Romanos 10:9 ARA).

Os degenerados, o diabo e seus anjos serão condenados

O nosso Senhor Jesus nos conta que pessoas não convertidas serão lançados no fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos (Mt.25.41; Jd.1.5-7; Sl.9.17; Mt.8.11-12). O santo apóstolo João descreveu o momento do juízo dos homens ímpios (Ap.20.11-15) e não omitiu a sentença do diabo (idem v.10). O santo apóstolo Pedro escreveu que esse mundo atual está entesourado para o fogo, reservado para o dia do juízo e condenação dos homens ímpios (2Pe.3.7). Onde ele descreve que os céus passarão, seus elementos se desfarão, e a Terra será também atingida, no Dia do Senhor (2Pe.3.9-10) e diz claramente que "todas essas coisas hão de ser assim desfeitas" (idem v.11 ARA). Jesus falou que os céus e a terra passarão (Mt.24.35).

Haverá novos céus e nova Terra

O santo apóstolo Pedro conclui o seu parágrafo falando sobre o Dia do Senhor remetendo ao novo céu e nova Terra:

"Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça." (2 Pedro 3:13 ARA). Também João fala sobre isso: "Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe." (Apocalipse 21:1 ARA). A palavra grega que aparece em ambas passagens como "nova" é "kainos" que significa "novo, com respeito a forma: recentemente feito, fresco, recente, não usado, não surrado. Com respeito a substância: de um novo tipo, sem precedente, novo, recente, incomum, desconhecido". (J. Strong).

Enfim, esses pontos são essenciais para doutrina das últimas coisas e são pacíficos entre todos aqueles que seguem a ortodoxia bíblica e o conservadorismo cristão. Sendo, portanto, irremovíveis da pregação, ensino e canção da igreja cristã. Somente pessoas desordeiras, hereges e incrédulas pensam diferente disso que expomos aqui.

O DESASTRE DA TEOLOGIA MODERNA

Com o surgimento da teologia liberal ou teologia moderna. A igreja reformada teve que acrescentar às cinco solas os cinco fundamentos. Para manter a teologia clássica e se opor a moderna. Onde vários teólogos presbiterianos no final do século XIX e posteriormente se espalhou entre os batistas e outras denominações por volta de 1910-1920. A primeira formulação das crenças do fundamentalismo se solidificou com a Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana em 1910 (Wikipédia) que foram conhecidas como "os cinco fundamentos", uma resposta apologética ao mundo moderno, ao liberalismo e neoliberalismo teológico (neo-ortodoxia).

Em minha postagem no blog traço o cenário histórico/teológico que a teologia moderna causou ao mundo e a igreja local:

A teologia foi maculada pelo surgimento do "liberalismo teológico" (6) e o "neoliberalismo teológico" (7), onde seus proponentes resolveram desconstruir a fé cristã. Personagens como o teólogo alemão Frederich Schleiermacher (1768 a 1834) trataram de fazer o serviço de implosão dos alicerces do cristianismo. Dele se escreve: "Negava [...] autoridade e igualmente a historicidade dos milagres de Cristo. Ele não deixou uma só doutrina bíblica sem contestação. Para ele, o que valia era o sentimento humano: se a pessoa 'sentia' a comunhão com Deus, ela estaria salva, mesmo sem crer no Evangelho de Cristo". (8). "Rudolf Karl Bultmann (1884 a 1976), desenvolvedor da teologia do mito. Ele dizia o que você tem nos evangelhos não é o Jesus histórico, mas o Jesus da fé da Igreja. Segundo ele o Jesus da fé da Igreja é uma mitologia criada pelos discípulos de Jesus" (9). "Apesar de acreditar que existiu um Jesus da história, ele nega claramente a historicidade da ressurreição. Ele afirma que a ressurreição 'não é um evento da história passada... um fato histórico que envolva a ressurreição de mortos é totalmente inconcebível". Para Bultmann, "é impossível acreditar-se num evento mítico como a ressurreição de um cadáver, pois é isso o que a ressurreição significa". Portanto, para ele, "Se o evento do domingo de Páscoa for em qualquer sentido um evento histórico adicional ao evento da Cruz, não é nada mais do que o surgimento da fé no Senhor ressurreto...". (10). Karl Barth (1886 a 1968), um teólogo que parecia um apologista cristão contra o liberalismo teológico, entretanto, na verdade, suas "refutações" dissolveram-se em mera diplomacia. Em sua famosa obra "Carta aos Romanos", Barth manifestou a sua negação ao liberalismo teológico, mas também sua repulsa a ortodoxia (11), pois não foi enfático quanto à ressurreição histórica de Jesus: "Deixou para trás a morte! 'Ressuscitado de entre os mortos, ele já não morre mais'. Precisamente porque a sua ressurreição não é um acontecimento histórico, não é material". (12). E também disse: "a ressurreição toca a história como uma tangente toca um círculo, isto é, sem realmente tocá-lo" (13). O mesmo desacreditava na inerrância da Bíblia: "De capa a capa palavras humanas e falíveis [...] Segundo o testemunho das Escrituras sobre os homens, que também se refere a eles (isto é, aos profetas e apóstolos), eles podiam errar, e também têm errado, em toda palavra [...] mas precisamente com essa palavra humana falível e errada pronunciaram a palavra de Deus". (14). Emil Brunner (1889 a 1966) foi outro teólogo que tentou "combater" o liberalismo teológico, mas não comungava com a ortodoxia, e negava a inerrância da Bíblia, disse: "... A Palavra de Deus na Escritura é muito pouca coisa para ser velada. A Palavra de Deus na Escritura é muito pouca para ser identificada com o Cristo segundo o Espírito. As palavras das Escrituras são humanas, isto é, Deus fez uso de humanos, e, portanto, frágeis e falíveis palavras de homens que estão sujeitos a errar. Mas os homens e suas palavras são os meios através dos quais Deus fala aos homens e no homem. Somente através de um sério equívoco a fé genuína encontrará satisfação na teoria da inspiração verbal da Bíblia". (15). Ele também tinha dificuldades em crer na ressurreição de Jesus: "ressurreição do corpo, sim; ressurreição da carne, não! A ressurreição do corpo não significa a identidade do corpo da ressurreição com o corpo de carne e ossos, apesar de já transformado; mas, a ressurreição do corpo significa a continuidade da personalidade individual desse lado e no outro lado, a morte". (16). Paul Tillich (1886 a 1965) dele se diz: "Em sua cristologia, ele define Jesus como o símbolo no qual se supera a alienação, em que se rompe a distância. Cristo é o símbolo do 'Novo Ser', no qual se dissolve toda alienação que tenta diluir a unidade do homem com Deus. A palavra 'símbolo' é resultado do repúdio de Tillich por qualquer interpretação ortodoxa acerca da pessoa e da obra de Cristo. Segundo ele, a afirmação 'Deus se fez homem' é uma afirmação não apenas paradoxal, mas também sem sentido. O relato da crucificação é mencionado como lendário e contraditório. A ressurreição, segundo ele, significa simplesmente que Jesus foi restituído à sua dignidade na mente dos discípulos". (17). (Blog Anti-heresias).

A teologia moderna foi conduzida pelo liberalismo teológico e depois da segunda guerra mundial veio a subsistir por meio da neo-ortodoxia. Earle Cairns nos conta que:

"Por volta de 1900 as ideias da paternidade universal de Deus e da fraternidade humana, espalharam-se dos seminários para o Estado, à medida que ministros liberais assumiam o púlpito do país [...] foi transmitido aos Estados Unidos pelos estudantes norte-americanos de teologia que estudaram filosofia idealista e a crítica bíblica em universidades alemãs e escocesas. A filosofia kantiana foi a principal fonte do pensamento liberal [...] A Bíblia deveria, então, ser estudada como um livro humano por meio de métodos científicos, e não como uma revelação divina [...] a evolução darwiniana também foi aplicada à religião [...] os liberais tinham em comum a ideia de um Deus imanente na história e nas pessoas [...] A Bíblia, de acordo com os liberais, continha somente o registro subjetivo da consciência humana de Deus. [...] A neo-ortodoxia, ou teologia da crise ou 'teologia existencial' chamada assim algumas vezes, substituiu o liberalismo declinante entre 1930 e 1950. O estudo de Schleiermacher, Ritschl e Hanarck nos seminários, deu lugar a [...] Barth e seus livros [...], Brunner e Reinhold Niebuhr foram, mais tarde seguidos pelos mais radicais e existencialistas Bultmann e Tilich. Duas destrutivas guerras mundiais, a Grande Depressão e o totalitarismo de esquerda depois da Primeira Guerra Mundial fizeram o liberalismo ficar mais e mais irrelevante, e a neo-ortodoxia, consequentemente, mais histórica e teologicamente viável". (Cristianismo Através dos Séculos, p.420-421).

A crise da teologia moderna veio com a "Afirmação Auburn, de 1923, assinada por 1.300 ministros presbiterianos. Este documento declara que a inerrância bíblica, o nascimento virginal, a expiação vicária, os milagres e a ressurreição de Cristo não eram doutrinas essenciais". (idem, p.420). Posicionamento que repercutiu no desligamento de igrejas locais tradicionais de dentro da presbiteriana para fundação de outras igrejas, como por exemplo: a igreja presbiteriana ortodoxa (Wikipédia). A teologia moderna tem causado divisões nas igrejas até o dia de hoje.

A REAÇÃO DO MOVIMENTO FUNDAMENTALISTA

Fundamentalismo cristão é uma tese do final do século XIX e início do século XX entre os protestantes britânicos e estadunidenses como uma reação ao liberalismo teológico e ao modernismo cultural. Os fundamentalistas argumentam que os teólogos modernistas do século XIX haviam interpretado errado ou rejeitado certas doutrinas, especialmente a inerrância bíblica, que consideravam os fundamentos da fé cristã. É quase sempre descrito como tendo uma interpretação literal da Bíblia. [...] o fundamentalismo geralmente acredita em um núcleo de crenças cristãs que incluem uma precisão histórica da Bíblia e a segunda vinda de Cristo (Wikipédia). Cujo legado maior foram os cinco fundamentos, são eles:

1) A inspiração da Bíblia pelo Espírito Santo e a inerrância das Escrituras como resultado disto.

2) O nascimento virginal de Cristo.

3) A crença de que a morte de Cristo foi a redenção para o pecado.

4) A Ressurreição de Jesus.

5) A realidade histórica dos milagres de Jesus.

EXPLANANDO OS CINCO PONTOS

1) A inspiração da Bíblia pelo Espírito Santo e a inerrância das Escrituras como resultado disto.

No Credo da Igreja Gileade declaramos que: "Cremos na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão" (2Tm.3.14-17). No livro IGREJA GILEADE escrevo: [...] O texto da Bíblia é inspirado por Deus. Não temos dúvida disso. Paulo usa a palavra grega "theopneustos" em 2 Timóteo 3.16, isto é: "inspirado[a] por Deus". E ele associa essa palavra ao grego "grafe". Que vem de "graphe", onde o seu significado é: "1) escritura, coisa escrita. 2) a Escritura, usado para denotar tanto o livro em si como o seu conteúdo. 3) certa porção ou seção da Sagrada Escritura". Esequias Soares (2017. P.12) diz "que vem de theos, 'Deus', e pneo, 'respirar'". Esmiuçando a definição de Strong: "inspirado[a] por Deus", a palavra "inspirado" quer dizer: "Que ou quem procede sob a influência de uma inspiração mística ou poética; que revela uma inspiração deste gênero". E "por Deus" que foi Deus quem inspirou. Assim, acreditamos que os autores da Bíblia foram colocados sob influência de Deus. Para ser mais preciso: sob influência do "pneuma tou theou" (Espírito de Deus). A palavra "pneuma" é muitas vezes aplicada ao Espírito Santo no Novo Testamento grego. E a Escritura, chamada de Palavra de Deus (atualmente de Bíblia), é mencionada por Paulo como uma espada que o Espírito Santo utiliza: "Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus" (Efésios 6:17). Pedro diz que "homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo". (2Pe.1.21). A palavra grega usada no texto donde traduz-se "movidos" vem de "phero", quer dizer: "carregar, trazer, levar a". Isto é, foram carregados, trazidos, levados pelo Espírito Santo a falar as profecias bíblicas. (IGREJA GILEADE, p.155, 161, 162).

O Credo da Gileade tem em sua afirmação que a Bíblia Sagrada é "infalível". O que queremos dizer com isso? Duas coisas estão atreladas a essa afirmação: a) a declaração de fé da inerrância da Bíblia. b) manter o posicionamento apologético de reação a teologia liberal, onde Karl Barth (1886-1968) não conseguiu refutar plenamente, mas se posicionou num meio termo entre a teologia liberal e a teologia ortodoxa, gerando um movimento irresoluto: o barthianismo ou neo-ortodoxia. Amantes da teologia e escritos de Barth criticam que os defensores da teologia ortodoxa, quando apontam ele como responsável pelo barthianismo, estão "batendo em um espantalho". Todavia, peguemos, por exemplo Calvino, não tem como separar Calvino de calvinismo. Embora muita gente cite palavras de Calvino parecendo apoiar a expiação ilimitada, a contribuição dele para o surgimento do calvinismo é inegável. Assim ocorre com Barth. (IGREJA GILEADE, p.176).

Acreditamos que a Bíblia é inerrante palavra de Deus, rejeitamos o pensamento da teologia liberal, e discordamos do pensamento da teologia neo-ortodoxa. Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus e Jesus Cristo a revelação plena desta Palavra. Cuja Sua biografia mais confiável encontra-se no testemunho do Novo Testamento, da própria Bíblia: "Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo." (Hebreus 1:1-2). (IGREJA GILEADE, p.178).

A adulteração das Escrituras é algo impensável, haja vista o vasto número de manuscritos disponíveis. É uma total ignorância tal afirmação. Esequias Soares (2017. P. 15) diz:

A quantidade enorme de manuscritos antigos, o grande número de versões em outras línguas e as citações da patrística nos primeiros séculos do cristianismo falam por si como prova da autenticidade dos livros da Bíblia. É um assunto que nem mesmo os céticos questionam. Nenhuma obra da antiguidade apresenta hoje tantos manuscritos hebraicos, gregos, latinos e em outras línguas. Temos hoje em todo mundo mais de 25 mil manuscritos bíblicos produzidos antes da imprensa no século XV. Em segundo lugar, vem a Ilíada, de Homero, com apenas 457 papiros e 188 manuscritos, perfazendo um total de 645 exemplares. Nenhuma obra da antiguidade é mais bem confirmada que a Bíblia. (IGREJA GILEADE, p.179).

2) O nascimento virginal de Cristo.

No Credo da Igreja Gileade declaramos: "Cremos na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e sua ascensão vitoriosa aos céus". (Is.7.14; Mt.1.20; Rm.8.34 e At.1.9). No livro IGREJA GILEADE escrevo: O Credo Apostólico afirma isso (ver tópico 3.1). Talvez você esteja perguntando: "O que torna essa afirmação de fé tão essencial?" A princípio porque está na Bíblia. Profetizada por Isaías e narrada por Mateus. Veja bem, toda as afirmações desta seção do Credo da Gileade estão interligadas. A morte de Jesus pelos nossos pecados só tem sentido porque acreditamos que ele nasceu sem pecado. E Ele nasceu assim porque não foi gerado de modo natural e consequentemente não nasceu um pecador. Ele nasceu de modo sobrenatural, e obviamente veio sem pecado. Nascer de uma virgem é providencialmente um nascimento sem que fosse da vontade humana, ou gerado pelo homem. Mas, da vontade de Deus. As Escrituras usam o termo grego "monogenes" cinco vezes no Novo Testamento associada a Cristo (Jo.1.14,18; 3.16,18; 1Jo.4.9). Essa palavra grega, traduzida comumente como "unigênito" quer dizer: "único do seu tipo, exclusivo". Só Jesus nasceu assim desta maneira. Cuja finalidade foi para dar sua vida por nós conforme afirmamos logo em seguida. Strong diz: "usado de Cristo, denota o único filho nascido de Deus". (IGREJA GILEADE, p.187, 188).

3) A crença de que a morte de Cristo foi a redenção para o pecado.

No livro IGREJA GILEADE escrevo: Dentre os principais propósitos de Jesus ter vindo ao mundo está em ele ter vindo fazer expiação pelos nossos pecados. Morrer em nosso lugar (morte vicária). A palavra "expiação" tem no hebraico "kaphar" o sentido de "cobrir, purificar, fazer expiação, fazer reconciliação, cobrir com betume". Em grego "hilasterion", quer dizer: "que se relaciona com uma conciliação ou expiação, obter aplacamento ou poder expiador, expiatório; forma de conciliação ou expiação, propiciação". Passagens bíblicas que exemplificam essas palavras originais:

"a quem Deus propôs, no seu sangue, como *propiciação*, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos" (Romanos 3:25. Grifo do autor). Nesta tradução (ARA) "hilasterion" está como "propiciação". Na versão católica diz: "É ele que Deus destinou a ser, por seu próprio sangue, instrumento de *expiação* mediante a fé. Assim, Deus demonstrou a sua justiça, deixando sem castigo os pecados cometidos outrora". (CNBB. Grifo do autor).

"Isto vos será por estatuto perpétuo, para fazer expiação uma vez por ano pelos filhos de Israel, por causa dos seus pecados. E fez Arão como o SENHOR ordenara a Moisés." (Levítico 16:34. Grifo do autor). Neste texto a palavra em negrito vem de "kaphar".

Expiação: Essa afirmação quer dizer que eu seu ato de morte lá na cruz Jesus nos cobre de toda culpa do pecado. A morte de Jesus resultou em perdão divino, reconciliação com Deus. Todo pecado por nós cometido, por meio de Jesus, foram expiados por ele em sua morte vicária. Isto é, o castigo dos pecados cometidos que nos era merecido foi colocado sobre ele. Conforme vemos no texto de Romanos aqui. E eram representados (figura de Jesus) no Antigo Testamento com o sacrifício feito por animais, pelo derramamento do sangue. Confira outros textos bíblicos que descrevem isso: João 1.29; 12.32; Isaías 53.5,7; 2Coríntios 5.14,15,21; 1Tessalonicenses 5.9,10; Hebreus 2.17; 9.22; 10.12; 1Pedro 3.18; etc. Wayne Gruden (2001. P.271,272) nos diz:

O amor e a justiça de Deus, foram a causa última da expiação. Contudo, não é útil perguntarmos qual das duas é mais importante, porque, sem o amor de Deus, ele nunca teria tomado qualquer iniciativa para nos redimir; todavia, sem a justiça de Deus, a exigência específica de que Cristo deveria obter nossa salvação morrendo pelos nossos pecados não teria sido satisfeita. O amor e a justiça de Deus são igualmente importantes. (IGREJA GILEADE, p.189, 190).

Isso posto, resultou em redenção para todo o que crer (cf. Ef.1.7, Cl.1.13,14, Jo.3.16).

4) A Ressurreição de Jesus.

A ressurreição é a prova de que fomos perdoados e a morte foi vencida. Jesus ressurgiu dos mortos não é uma questão somente de implicação cristológica, mas também soteriológica. O apóstolo Paulo diz: "o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação." (Romanos 4:25). Sua ressurreição corporal é uma mensagem dos céus de que fomos justificados. Isto é, tornamos justos diante de Deus por causa de Cristo. Assim, a morte, aquela que veio por causa do pecado, foi vencida. E isso ocorreu porque os pecados foram perdoados e, em Cristo, somo justos. (ver tópico 4.6). Note que a salvação do pecador implica diretamente no reconhecimento que Jesus ressurgiu dentre os mortos: "Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo." (Romanos 10:9). Paulo associa a ressurreição ao perdão dos pecados: "E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados." (1 Coríntios 15:17).

Na implicação cristológica, Jesus se fez carne, um ser humano real, ele não era uma materialização do espiritual ou uma teofania. Ele tornou-se um ser de carne e osso como todos nós. Obviamente, sua ressurreição, não poderia ser diferente. Negar a ressurreição corporal de Jesus é negar a sua encarnação. Segue-se a advertência do apóstolo João: "Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo." (2 João 1:7).

Na discussão que ele teve com os judeus sobre o Templo, o próprio Senhor Jesus disse que ressurgiria:

"Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo." (João 2:19-21. Grifo do autor). Quando ressuscitado diante dos discípulos disse: "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho." (Lucas 24:39 ARA). O cristianismo torna-se uma religião vã se Cristo não ressurgiu dentre os mortos: "E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé" (1 Coríntios 15:14. Grifo do autor). Ser Jesus o primogênito dos mortos (Cl.1.18 e Ap.1.5) só faz sentido se ele voltou a viver fisicamente. Ele é o primeiro dos que morreram e hoje está vivo. (IGREJA GILEADE, p.193,194).

5) A realidade histórica dos milagres de Jesus.

"Os maiores nomes da teologia das épocas intermediárias, Irineu, Orígenes, Agostinho, Anselmo, Aquino, Calvino, Lutero, etc., admitiam que Deus pode realizar milagres e que estes aconteceram conforme o registro da Bíblia. Nos dois séculos de debate entre católicos e protestantes no período pós-Reforma, a questão nunca foi se Deus era capaz ou não de operar os milagres que as Escrituras relatam. Com o Iluminismo, a situação sofreu uma mudança radical. Os milagres narrados pela Bíblia passaram a ser criticados como impossíveis, improváveis e até indesejáveis [...]. Assim, no século XIX os protestantes encontraram um opositor totalmente diferente contra o qual tinham de defender sua posição [...]. A opinião liberal foi tão poderosa e convincente que nessa época a grande maioria de livros, artigos e discussões dos protestantes sobre milagres tem sido escrita não contra os milagres da igreja, mas em defesa dos milagres da Bíblia [...]. Qualquer argumento que se baseie numa pressuposição ateísta leva a conclusões ateístas [...]. Mas a teologia liberal ainda é teologia, pois afirma a existência dum deus [...]. Assim [...] nos meios liberais [...] mesmo que haja um deus que criou o mundo, não faria sentido esse deus ter criado um mundo ordenado para nele intervir de vez em quando [...]. Resumindo, deus existe, mas ele não intervém nos assuntos do mundo. Essa perspectiva foi aceita como um tipo de ponto de partida cosmológico para a cosmovisão do pensamento secular moderno e do pensamento religioso moderno". (Alan Pieratt. Sinais e Maravilhas, p.37,38).

Depois da Reforma Protestante, quando veio o Iluminismo, a igreja entrou em confusão de uma forma que se dividiu entre liberais e conservadores. O primeiro grupo surgiu com o estigma merecido de "amigos do mundo" conforme conclusão bíblica: "Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." (Tiago 4:4 ARA). O segundo grupo nasce da defensiva da fé e do apelo a sensatez para que a razão jamais sobressalte a fé. Conforme conclusão bíblica: "Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem." (Hebreus 11:1 ARA). "visto que andamos por fé e não pelo que vemos." (2 Coríntios 5:7 ARA). "todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma." (Hebreus 10:38-39 ARA).

A resposta conservadora da igreja protestante veio alinhada com uma vida religiosa "ao mesmo tempo racional e sobrenatural"; e bem consistente em duas linhas de raciocínios: "[...] Na primeira, afirma-se que os milagres não acontecem contra as leis da natureza, mas por meio delas. A cura de um braço atrofiado ou a restauração da visão de um olho cego acontece pela recuperação do tecido natural das células, não por substituição com alguma coisa estranha. [...]. Em segundo lugar, os protestantes afirmam que, embora Deus atue pelas leis da natureza, ele não está preso a elas. [...] 'acaso para Deus há alguma cousa demasiadamente difícil?' (Gn.18.14). [...] A pergunta de Deus para Abraão demonstra que a arrogância da ciência moderna é tanto idólatra como insensata. Como ousamos afirmar que conhecemos física tão bem, que compreendemos plenamente o que é possível e o que não é? A insensatez dessa arrogância pode ser verificada se perguntarmos quantos céticos do século XVIII e XIX não ficariam pasmos com a luz elétrica, com a televisão, com telefones ou com jato decolando de uma pista. Não teriam eles todos achado estas coisas 'miraculosas'? É sensato supor que, continuando a ciência a avançar em sua compreensão do mundo, nós, que vivemos hoje, ficaríamos assombrados com aquilo que será normal a dois séculos. Conforme diz Warfield: 'Minha ignorância não pode ser medida da realidade [...] A natureza foi feita por Deus, não pelo homem, e nela podem estar atuando forças com as quais nem sequer chegamos a sonhar em nossa filosofia, que ultrapassam completamente a compreensão humana'. Há muita coisa que não conhecemos sobre o universo, e é muita presunção dizer que um milagre não pode acontecer porque conhecemos muito bem as 'leis da natureza'". (Alan Pieratt. Sinais e Maravilhas, p.41-43). Resta-nos portanto, a mensagem escrita pelo apóstolo Paulo:

"Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Romanos 11:33-36 ARA).

O grupo dos liberais, que assimilaram os ideais iluministas e hoje a ideologias progressistas, flertam com o diabo, são céticos camuflados de cristãos. A realidade histórica dos milagres de Jesus estão claramente expostas na Bíblia Sagrada, sem qualquer conflito com a ciência, pois uma é a "ciência" do que se sabe até agora e outra é a ciência do que se sabe sobre tudo no universo. O apóstolo Paulo criticou essa "ciência" (gnosis, episteme) fechada e limitada quando escreveu: "Oh Timóteo! Guarda o depósito evitando práticas vãs e profanas, e as opiniões contraditórias da falsamente chamada ciência, a qual professando alguns, erraram o alvo acerca da fé. A graça seja convosco". (1Timóteo 6.20,21 BTX). Da qual Jó escreveu: "Acaso, alguém ensinará ciência a Deus, a ele que julga os que estão nos céus?" (Jó 21:22 ARA). Não nos baseamos, portanto, no que se sabe até agora, porque, como foi dito por Warfield, "a natureza foi feita por Deus, não pelo homem", e Cristo, quando se fez carne e habitou entre nós realizou milagres de forma desconhecida pela ciência humana, que em nossa ignorância intitulamos de "sobrenatural", mas de forma conhecida por Ele. E que também pôde usar os próprios meios naturais conhecidos por nós. Em ambos os casos Cristo curou enfermos e agiu na natureza utilizando as leis conhecidas da física sem qualquer conflito dentro daquilo que criou. E desse modo agiu não somente porque a Sua criação tornou-se um caos pela Queda, pelo pecado original, e por isso precisa de redenção (ver Rm.3.23; Lc.19.10; 1Jo.5.19; Ef.2.1-3), mas também porque ele é soberano e pessoal, nada limita sua maneira de agir e de se relacionar com o homem: "[...] Deus não é apenas onipotente, mas também soberano. Isso significa que sua vontade pessoal não está presa a nenhum conjunto de leis criadas [...] os evangélicos acreditam que o relacionamento do homem com Deus é pessoal e, portanto, vai além de qualquer conjunto de leis. [...] O mundo físico é a esfera básica de nosso relacionamento com Deus, mas esse relacionamento não está limitado ao mundo natural". (Alan Pieratt. Sinais e Maravilhas, p.43).

Assim sendo, reiteramos que os milagres de Jesus foram reais e históricos. Dos quais podemos listar:

Ele transformou água em vinho: João 2.1-11

Ele multiplicou pão e peixe: Mateus 14.13-21; 15.32-39; João 6.1-15.

Ele acalmou tempestade: Marcos 4.35-41.

Ele realizou uma pesca milagrosa: Lucas 5.1-11.

Ele andou sobre as águas: Mateus 14.22-33.

Ele curou leprosos: Lucas 5.12-16; 17.11-19.

Ele curou cego: Mateus 9.27-31; 20.29-34.

Ele curou mudo: Marcos 7.31-37.

Ele curou paralítico: Lucas 5.17-26; 6.6-10; João 5.2-9.

Ele ressuscitou mortos: Lucas 7.11-17; João 11.1-44; Lucas 8.40-42, 49-56.

Ele cura o empregado de um oficial romano: Mateus 8.5-13.

Ele curou a sogra de Pedro: Marcos 1.30-31.

Ele curou várias mulheres: Lucas 8.2-3; 8.40-56; 13.10-13.

Ele expulsou demônios: Marcos 1.21-28; 5.1-20; 9.17-29; Mt.8.16.

Todas essas realizações de Jesus ocorreram aos olhos de várias testemunhas. Cujo maior milagre foi a sua própria ressurreição dentre os mortos e ascensão aos céus. Se um "cristão" não crer nesses relatos bíblicos seria muito mais útil a igreja ser um ateu. Pois melhor ser frio ou quente do que ser morno, disse Jesus:

"Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;" (Apocalipse 3:16 ARA).

CONCLUSÃO

Os fundamentos da fé são essenciais para sustento do cristão em toda a sua jornada. Muitos caíram pelo caminho por questão moral. Entretanto, outros tantos caem por questão doutrinária e cristãos desapercebidos da igreja nem percebem isto. De repente determinada igreja local ou um ministério inteiro mudam suas doutrinas para um pensamento estranho a fé e a comunidade geral de igrejas e cristãos nem se dão conta.

É necessário o conhecimento, compartilhamento e constante consulta dos assuntos aqui abordados para que tais coisas venham a ser evitadas. Como disse o apóstolo Paulo:

"Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia". (1Co.10.12 BKJA).

Que a graça de nosso Senhor Jesus, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês. Shalom!

Referencial teórico de todo o conteúdo:

Bíblia Digital SBB módulo avançando. Com léxico grego e hebraico de J. Strong. Com texto hebraico BHS, texto grego Stephanus 1550 e versão grega do AT a LXX.

Teologia Elementar de Bancroft

Comentário Bíblico / Apocalipse de Russell Champlin

Comentário Bíblico / Série Cultura Bíblica, Apocalipse de George Eldon Ladd

Comentário Bíblico de Moody (AT e NT)

Comentário Bíblico de Russel Champlin (AT e NT) 

Dicionário Bíblico de John Davis

Dicionário Bíblico de J. Douglas

Panorama do Novo Testamento de Robert H. Gundr

Bíblia de Estudo de John MacArthur

Bíblia de Estudo de King James Atualizada

Igreja Gileade de Daniel Durand

Catecismo Maior de Westminster

Depravação Total de Kleber Maia

Cristianismo Puro e Simples de C. S. Lewis

Cristianismo Através do Séculos de Earle Cairns

CADIC, Capacitação de Discipuladores Cristãos de Daniel Durand

Seitas e Heresias de Raimundo de Oliveira

Religiões, Seitas e Heresias de Robson Wander

Sinais e Maravilhas de Alan Pieratt

Bíblia em Panorama de Daniel Durand

Revista Defesa da Fé número 6 edição especial, p.154 "Os credos dos apóstolos e niceno"

Revista Defesa da Fé número 7 edição especial, p.156 "O credo de Atanásio"

Declaração de Fé de Cambridge fonte:

https://www.monergismo.com/textos/cinco_solas/cinco_solas_reforma_erosao.htm

Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/

Texto grego todas as versões: https://dubitando.orgfree.com/nt_gr.htm

Teologia Moderna: https://anti-heresias.blogspot.com/2016/07/em-defesa-da-teologia.html#more

Bíblias:

ACF - Almeida Corrigida Fiel

ARA - Almeida Revista Atualizada

BTX - Bílbia Textual

ARC - Almeida Revista e Corrigida

NVI - Nova Versão Internacional

BKJ - Bíblia King James

BKJA - Bíblia King James Atualizada

BHS - Bíblia Hebraica

LXX - Bíblia Grega Septuaginta

AXXI - Almeida Século 21

Pr. Daniel Durand (ThB.) Por Cristo, com Cristo e em Cristo. 

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